Editados nas décadas de 70 e 80, estes documentários foram lançados em pequenos discos de vinil, em campanha pela defesa do folclore brasileiro. Aqui, os dados do 26° lançamento:
CAMBINDA/PARAÍBA
O grupo de Cambinda de Lucena, denomiando Cambinda Brilhante, é constituído em sua maioria de pescadores da Colônia Z-5.
Segundo a tradição do grupo, Manuel Pereira, um pescador da Praia de Pitimbu, teria migrado para Lucena, e reuniu um grupo de amigos para constituir uma brincadeira e comemorar o domingo de Páscoa, como se fazia no seu lugar de origem.
O rei do grupo, João Marques Chagas, atual portador da tradição, com a morte do velho Manuel Pereira, acredita que as Cambindas tenham sido criadas para comemorar a libertação dos escravos.
O grupo é formado exclusivamente de homens. Embora não haja entrecho dramático, há diferenciação de papéis, que assim se distribuem: Rei, Rainha, Dama do Paço, Mestre, Leão Coroado, Porta-bandeira, Diretor do Cordão Encarnado, Diretor do Cordão Azul, Lanceiros e Cambindas propriamente ditas, ou Baianas, e dois tocadores.
São bastante repetitivas as loas da Cambinda Brilhante de Lucena, e a sua análise determina a sua vinculação com manifestações semelhantes existentes em Goiana, Pernambuco, bem como revelam integração do grupo na cultura local. Desta forma, consideramos os ritmos de alguns toques próximos aos de coco-de-roda praieiro e de jornadas pastoris, e em nenhum momento evocam os ritmos dos maracatus, nação africana de Recife.
A temática dos cantos poderia ser agrupada da seguinte forma: Cantos de Saída, Cantos de Rua, Cantos de Invocação, Cantos da Realeza, incluindo os Cantos dos Reis, Leão Coroado, Embaixador e Boneca, e cantos de trabalho, dos quais registramos os mais comuns. Segundo o Rei, há mais de cinqüenta cantos diferentes.
O grupo se apresenta nas celebrações religiosas do domingo de Páscoa, como também em visitas nas casas de famílias da comunidade e quando são convidados para demonstrações. Formados em duas alas, uma do Cordão Encarnado e outra do Cordão Azul, a família real no centro, na frente o Embaixador, o grupo sai às ruas de Lucena dançando e cantando num ritmo marcado pelos zabumbas e maracás.
OSVALDO MEIRA TRIGUEIRO
FACE A
1. QUEM NOS GUIA ESTA LUZ/ASSUSPENDÔ NOSSA BANDEIRA (CANTOS DE INVOCAÇÃO)..........2'18''
2. ENCRUZA LANÇA, LEVANTA A BANDEIRA (CANTO DE RUA)..........1'20''
3. OI VIVÁ NOSSO REI NA CORTE (CANTO DE REALEZA)..........1'17''
4. ARUANDA LELÊ (CANTO DE RUA)..........1'19''
FACE B
1. OI CAMBINDA BRILHANTE (CANTO DE SAÍDA)..........1'43''
2. CHEGÔ DONA LEPORDINA (CANTO DA BONECA)..........1'29''
3. AMOLA O MACHADO (CANTO DO LEÃO COROADO)..........1'10''
4. O REI, RAINHA (CANTO DO EMBAIXADOR)..........1'20''
5. TOQUE DEPERCUSSÃO (ZABUMBAS E MARACÁS)..........0'34''
FICHA TÉCNICA
Interpretação: Cambinda Brilhante de Lucena/PB.
Solista: Manuel Santos Instrumentos acompanhantes: zabumbas e maracás
Gravação: Realizada ao vivo na cidade de Lucena/PB, em 4.6.1978. Equipe responsável: Osvaldo Meira Trigueiro (coordenador), da Divisão de Folk-Comunicação da Universidade Federal da Paraíba, e Florismá Mello, Ten. Lucena e Maria Rosa Faria (colaboradores).
Montagem e Supervisão: Prof. Aloysio de Alencar Pinto.
Produção: Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro. Diretor-Executivo: Bráulio do Nascimento. Rua do Catete, 179. Rio de Janeiro/RJ.
1978
Capa: Cambinda Brilhante de Lucena/PB.
Foto: Arion Farias.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DA CULTURA
DEPARTAMENTO DE ASSUNTOS CULTURAIS - FUNDAÇÃO NACIONAL DE ARTE . FUNARTE
CAMPANHA DE DEFESA DO FOLCLORE BRASILEIRO
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
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Negritos, letras maiúsculas e minúsculas, acentos e pontuações mantidos de acordo com o original.
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